segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Teias


É doloroso ver o quanto sou só.
O amor se vai,
As pessoas se vão,
Tudo muda.
Mesmo tendo uma multidão a minha frente
A minha solidão é soberana.
O peito arde!
Rasga!
Sangra!
Palavras não dão conta
Da angústia que atormenta.
Palavras são símbolos.
Tenho sentidos!
Grito sufocado. Grito surdo!
Olho, vejo, reflito!
Ah! Quero dividir e não posso!
Quero que sinta comigo, pulse e viva!
Como isso pode acontecer?
Deixar que essa tormenta invada a alma?
Perguntas. Respostas. Vazio.
Tenho o mundo, mas não gosto do que vejo!
Ele torna minha solidão mais amarga. Puro fel.
Quando era inocente, havia a doçura sem abandonos.
Quero voltar!Volta!Eu volto se deixares!
Juntando cada fiapo de mim e reconstruindo os sonhos
Tão desejados, tão destrudos.
Não é só a carne que separa.
É a vida.
Os fios da teia fraternal sempre se rompem.
E lá vou eu tecer meus laços de novo...
E de novo...
E de novo...
Estou cansando!
Os fios perderam o viço.
O momento perdeu a beleza.
Envelheço.