sábado, 25 de outubro de 2008

Poesia Muda


Despertar.

Mexer.

Virar e revirar.

Romper barreiras.

Interromper a lógica.

Tornar o irreal a fonte que alimenta meus sonhos.

O que foi um dia uma utopia.

Hoje toco, sinto e faço sentir.

Atravesso todas correntes e trago o tesouro mais amado.

A cada segundo minha alma pulsa em direção a você.

Entrelaço-me em tudo ao teu redor,

Quero estar em completa inserção, em demasiada imersão no teu ser.

O medo já não está.

A dor cessou cedendo a doçura de uma realização.

Só dizer do amor é pouco.

Nem todos os gritos dão conta daquilo que é.

E quando não há mais deixo-me apenas estar.

Dizendo as palavras mudas em movimentos,

Descrevendo a poesia ditada por um amor infinito.



segunda-feira, 28 de abril de 2008

Revelação


A cada respiração,

A cada saudade,

Um mover do peito

Que arde inflamado

De paixão.

Sinto teu toque

Suavemente imaginado

A colher de mim

Gotas imperceptíveis de amor.

Teu calor, meu calor...

Energias que clamam

Por explosão.

Olhos que se buscam

Tentando revelar o "mais"

Que ficou mudo.

Delicada tortura

De um querer,

De um desejo.

Vem e cobre meu ser

Com a tua revelação,

Com o teu mover.

Adentra a alma.

Rasga a carne

Pela realização

Do instante único

Do amor mais que cobiçado.


Horas do Tempo


Quero me perder
Nas horas do tempo.
Horas que nem o tempo
Pode contar.
Permanecer mergulhada
Na sublimação
Do êxtase que é você.
Tornar inconsciente
A consciência do amor,
Para que fique impresso
Em meus sentidos
Os seus sentidos.
Quero ver
Pelas portas abertas
Em teus olhos
A sua alma.
Alma que pede por um amor,
Pelo amor
E que este nela se derrame.
Ao te ver assim inteiro, intenso
Completo a metamorfose
Do meu ser,
Que por você,
Que para você
Se transmuta
Revelando assim
Um universo de emoções.
E lhe acolhe para sempre,
Nas horas das horas incontáveis
De um tempo que desejamos perder.



terça-feira, 15 de abril de 2008

Tormentas


Sou o oposto do avesso

Daquilo que você deseja.

Senhora dos meus dias

Atravesso tormentas

Com um navio levado

Por um destino mutável.

Alma que se reconstrói

A cada passagem.

Provoco o medo

Do pulo no abismo.

Afasto-te das minha horas.

Penso nos laços de um futuro promissor...

...devaneios.

Força que me impele para ti

Traz em si a repulsa

Amarga de saber

Que nunca seremos.

Sonhos, desejos incontidos,

Incontáveis, intocáveis.

A cada porto

Esse navio é talhado

Em prazer e dor.

Registros da alma

Que corre,

Que busca

E que segue seu fado

Na miserável condição

De prisioneira dos próprios

Delírios.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Casca


Minutos.
Horas.
Dias.
Meses.
Anos.
Tudo passa.
Tudo vai.
Nada fica.
Queria te reter
Em meus braços,
Minhas mãos,
Em meu coração,
No fundo da minha alma.
Queria fazer brotar novamante
O rio do amor,
Da felicidade,
Da beleza da vida!
Amores são para serem vividos.
As ilusões que criamos continuam lá,
No oco aberto pelas emoções um dia sentidas.
Fujo! Corro!
Mas não escapo.
Gira a roda da vida,
Move-se o céu
Mas nada muda.
Tudo apenas abranda.
O que restou na superficie
Foi a busca pela libertação!
Libertação de ti!
Cada vez que me olho
Vejo-me só!
Vejo-me ao léu!
Há ali a casca.
O que resta de mim.
Falta você,
Para adentrar o que é seu
Preencher esse vazio.