segunda-feira, 28 de abril de 2008

Revelação


A cada respiração,

A cada saudade,

Um mover do peito

Que arde inflamado

De paixão.

Sinto teu toque

Suavemente imaginado

A colher de mim

Gotas imperceptíveis de amor.

Teu calor, meu calor...

Energias que clamam

Por explosão.

Olhos que se buscam

Tentando revelar o "mais"

Que ficou mudo.

Delicada tortura

De um querer,

De um desejo.

Vem e cobre meu ser

Com a tua revelação,

Com o teu mover.

Adentra a alma.

Rasga a carne

Pela realização

Do instante único

Do amor mais que cobiçado.


Horas do Tempo


Quero me perder
Nas horas do tempo.
Horas que nem o tempo
Pode contar.
Permanecer mergulhada
Na sublimação
Do êxtase que é você.
Tornar inconsciente
A consciência do amor,
Para que fique impresso
Em meus sentidos
Os seus sentidos.
Quero ver
Pelas portas abertas
Em teus olhos
A sua alma.
Alma que pede por um amor,
Pelo amor
E que este nela se derrame.
Ao te ver assim inteiro, intenso
Completo a metamorfose
Do meu ser,
Que por você,
Que para você
Se transmuta
Revelando assim
Um universo de emoções.
E lhe acolhe para sempre,
Nas horas das horas incontáveis
De um tempo que desejamos perder.



terça-feira, 15 de abril de 2008

Tormentas


Sou o oposto do avesso

Daquilo que você deseja.

Senhora dos meus dias

Atravesso tormentas

Com um navio levado

Por um destino mutável.

Alma que se reconstrói

A cada passagem.

Provoco o medo

Do pulo no abismo.

Afasto-te das minha horas.

Penso nos laços de um futuro promissor...

...devaneios.

Força que me impele para ti

Traz em si a repulsa

Amarga de saber

Que nunca seremos.

Sonhos, desejos incontidos,

Incontáveis, intocáveis.

A cada porto

Esse navio é talhado

Em prazer e dor.

Registros da alma

Que corre,

Que busca

E que segue seu fado

Na miserável condição

De prisioneira dos próprios

Delírios.